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2006/7/29 O CAÇADOR DE PIPAS
A história tem como pano de fundo o Afeganistão da década de 70; na ocasião, ainda um país tranqüilo com problemas comuns ao terceiro mundo. Em sua capital, Cabul, vivem dois garotos com personalidades e situação financeira diametralmente opostas, mas amigos inseparáveis.
Amir é filho de um homem rico e próspero; estuda e lê bons livros; mas amarga a falta de carinho do pai. Hassan é pobre e, junto com seu pai, é empregado da casa de Amir. Analfabeto e sem nenhuma perspectiva de vida, é feliz pela companhia do amigo rico. De coração generoso e resignado, sujeita-se a diversas humilhações em nome da amizade.
Os dois têm uma paixão em comum: soltar e caçar pipas. E foi exatamente num campeonato de pipas que Amir viu a possibilidade de ganhar seu prêmio mais valioso: a atenção e o carinho do pai. A vitória é conquistada, mas ao custo de um grande ato de covardia, fato que fez sua relação com o fiel amigo tomar outros rumos.
O tempo passa e de repente a vida tranqüila do Afeganistão é interrompida pela invasão da União Soviética, país cujo regime comunista entrou em decadência e teve seu fim decretado com a queda do muro de Berlim, em 1989. A guerra faz com que muitos afegãos ricos e importantes fujam de seu país; entre eles, Amir e seu pai.
Vivendo nos Estados Unidos, Amir consegue tudo o que queria: o amor do pai, o sucesso na carreira profissional e o casamento com a bela mulher que amava. Mas uma culpa lhe atormenta a alma; a ferida aberta naquele longínquo campeonato de pipas. Até que um dia, anos e anos mais tarde, um breve telefonema lhe dá a chance de cicatrizá-la.
Ao mesmo tempo em que conta uma história cheia de emoção, enaltecendo o lado bom de cada pessoa, Hosseini fala do Afeganistão e de seu povo massacrado pelos soviéticos e, em seguida, pelo fanático governo Talibã – aquele mesmo que apoiou Osama Bin Laden.
O CAÇADOR DE PIPAS está muito longe de ser um melodrama. É, antes de tudo, uma história de amor, fé e amizade... E de redenção... também.
Osvaldo Guarilha 2006/7/6 PARABÉNS, TERESÓPOLIS!Hoje é feriado. Estou em casa escrevendo este artigo. A cidade onde moro e trabalho está completando 115 anos de emancipação político-administrativa. Foi em 6 de julho de 1891 que o Decreto nº 281, assinado pelo governador do Estado do Rio de Janeiro, Francisco Portella, tornou Therezópolis (assim se escrevia à época) independente do município de Magé, distante quase 40 km.
Teresópolis progrediu, embora a passos lentos, superando muito Magé, que conta mais de 400 anos de idade. Ainda assim, conserva um povo provinciano e é dominada pelo coronelismo – meia-dúzia de ricaços que mandam e desmandam na cidade, impedindo o seu crescimento e, conseqüentemente, o aumento da renda do trabalhador.
Com 150 mil habitantes e ocupando uma área de 849 km2, Teresópolis vive basicamente do comércio varejista e da agricultura. Seu lazer se restringe à gastronomia, pois não há muito o que fazer por aqui. Temos alguns shoppings (em um deles, duas salas de cinema), uma “filial “ do SESC – Serviço Social do Comércio, que promove alguns eventos culturais, e só... Divertir-se significa ir comer e beber alguma coisa em algum bar ou restaurante. Isso há bastante. Em excesso, até!
Mas Teresópolis não é apenas um abrigo de políticos e empresários retrógrados e nocivos; é, acima de tudo, uma belíssima cidade, recheada de atributos naturais de dar inveja a muitas outras. Encravada na Serra dos Órgãos, é a sede do Parque Nacional que herdou da serra o seu nome. Ostenta formações rochosas imponentes e famosas como o Dedo de Deus, a Pedra do Sino, e a Mulher de Pedra (veja as fotos no álbum, acima).
Situada 910 m acima do nível do mar Teresópolis possui um clima frio, com mínima de 5 e máxima de 18º C no inverno. No verão, pode chegar a 30.
Como todas as cidades brasileiras, Teresópolis também tem favelas, violência e tráfico de drogas. E, claro, polícia corrupta. Uma não vive sem a outra. Mas comparando-se números, aqui é um paraíso. Uma das poucas cidades onde se pode andar de madrugada, sem medo de assaltos ou coisa pior.
Teresópolis carece de cultura. Se a tivesse, poderia ser bem melhor, mais desenvolvida, mais rica. Ainda assim, é uma cidade ótima pra se viver.
Se minha mãe estivesse aqui, estaria completando 65 anos de vida terrena, também hoje.
Osvaldo Guarilha 2006/7/1 BRASIL: RUMO AO “HEXAGERO”Hoje a Seleção Brasileira de Futebol foi eliminada pela francesa. Viramos fregueses! Na história da Copa do Mundo, criada em 1930 pelo francês Jules Rimet, Brasil e França se enfrentaram quatro vezes com ampla vantagem do país europeu. Foram três derrotas tupiniquins e apenas uma vitória (esta, por 5 x 2, em 1958, na Suécia, quando fomos campeões do mundo pela primeira vez).
Acho que faltou à Seleção Brasileira humildade para reconhecer seus erros e, principalmente, para admitir que não é invencível. Mesmo me orgulhando de ser um brasileiro, confesso que me enojou ver tanta bajulação. “Melhor do mundo”, “Fenômeno”, Imperador”, etc.
Ironicamente, ninguém brilhou. O Brasil saiu invicto da primeira fase com apenas um gol sofrido; passou por Gana com um placar mais elástico, mas nem por isso com facilidade; e jogou contra a péssima França com o mesmo desinteresse de 1998. Perfeitamente natural que perdesse. Imediatamente, milhões de brasileiros culparam o técnico. Obviamente, Parreira teve sua parcela de culpa; mas o demérito maior foi dos jogadores em campo, que em momento algum honraram a camisa verde-amarela. Tivessem tido a garra dos portugueses, que eliminaram a tradicionalíssima Inglaterra, o resultado certamente seria outro. Porque, justiça seja feita, Zinedine Zidane nunca foi, não é, e jamais será craque; mas, ao contrário das “estrelas” brasileiras, teve humildade para responder apenas “- Veremos!”, ao ser provocado por um repórter da Rede Globo sobre sua despedida no jogo de hoje.
Essa é a grande receita: humildade e garra. Assim, Portugal de Felipão chegou às semi-finais, sem falar besteiras e sem se gabar.
Óbvio que eu fiquei nervoso durante o jogo e muito triste com a eliminação da Seleção Brasileira. Afinal, eu nasci e fui criado aqui no Brasil. E ao contrário de muita gente que só se orgulha deste país uma vez a cada quatro anos, eu o valorizo sempre.
Agora resta a nós, brasileiros, torcer pela Seleção Portuguesa – única que ainda não foi campeã mundial de futebol -, comandada com competência por um brasileiro.
Despertados do sonho do hexa, devemos nos dedicar às eleições majoritárias de outubro. Cada povo tem o governo que merece. E nós, brasileiros, merecemos um que seja bem superior ao futebol medíocre que o time de Parreira apresentou na Copa do Mundo de 2006. Osvaldo Guarilha 2006/6/23 ELITE DA TROPANão é de hoje que a imagem da instituição policial é a pior possível diante dos olhos dos brasileiros. Poucos cidadãos, geralmente os mais abastados, ainda confiam nessa classe campeã em assassinatos e crimes diversos.
Nada a estranhar então, que eu me interessasse em comprar um livro escrito por dois ex-policiais militares. Queria mesmo ver tudo como se eu fosse um deles. Cheguei a pensar que iria ler uma historinha protegendo a honra dos defensores da Lei e da ordem, desmentindo tudo aquilo que se ouve, se vê e se lê no dia a dia.
Surpreendi-me! Dividido em duas partes, o livro conta a trajetória e a rotina de trabalho do BOPE, o Batalhão de Operações Policiais Especiais, subordinado ao Comando Geral da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro.
Na primeira parte, intitulada DIÁRIO DA GUERRA, o ex-policial formado em Direito pela PUC-RJ conta como foi o seu ritual de entrada no BOPE – um verdadeiro treinamento de guerra. Só os melhores são aprovados para formar um batalhão especializado em guerrilha urbana, como é o caso do tráfico de drogas nas favelas do Rio. Escolhidos sob rigorosa tortura física e psicológica (em outras palavras, treinados para matar primeiro e perguntar depois), os homens do BOPE orgulham-se de sua farda negra e do seu símbolo: uma caveira. Garantem ser incorruptíveis, argumentando que suborno algum paga o privilégio de pertencer à elite da tropa. O capitão conta ainda casos vividos ao longo de sua carreira, revelando com requinte de detalhes os métodos nada convencionais utilizados na captura e no assassinato de suspeitos. E deixa bem claro o seu desprezo – e o dos colegas – pelo que ele chama de polícia convencional: a militar comum e os civis.
Na segunda parte, intitulada DOIS ANOS DEPOIS: A CIDADE BEIJA A LONA, o narrador segue uma trama na qual policiais, políticos, secretário de segurança, governador, bandidos e espiões se entrelaçam num jogo sujo por dinheiro e poder.
Com linguagem simples e empolgante, ANDRÉ BATISTA - o capitão da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro e ex-integrante do BOPE - escancara tudo aquilo que o povo comum das periferias sabe de cor e salteado: que os negros e favelados são sempre os alvos prediletos de qualquer policial; que os loirinhos de olhos azuis, os “filhinhos-de-papai”, nunca são revistados ou perturbados; que a polícia mata adolescentes sem dó nem piedade e que tortura cruelmente para arrancar informações que, desde que sejam úteis, podem ou não ser inventadas.
O livro atinge o seu objetivo: fazer o leitor enxergar a situação com olhos de policial de elite. Em várias passagens, senti calafrios ao “caminhar com a tropa” em vielas escuras e traiçoeiras, vigiadas por traficantes que não temem a morte.
O próprio autor conta como ele e alguns de seus colegas passaram noites dormindo à base de calmantes de tarja preta, horrorizados com as próprias atrocidades cometidas. E diz como foi duro passar madrugadas em incursões perigosas nas grandes favelas cariocas, e manhãs cansativas na PUC-RJ ouvindo professores falarem mal de policiais.
A minha opinião sobre a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro não mudou depois de ler o livro. Quem me conhece sabe bem disso. Mas o Capitão Batista me fez entender as razões pelas quais os policiais são o que são. Muitos querem e até são honestos... mas não por muito tempo. Porque os podres poderes não permitem.
Ser um bom policial é nada fácil! Especialmente no Estado do Rio de Janeiro. Osvaldo Guarilha 2006/6/18 DESFALQUE NO TIME DO HUMOR BRASILEIRONós brasileiros trabalhamos duro de segunda a sexta-feira (alguns, de segunda a segunda), em troca de parcos salários e muitos aborrecimentos. A grande maioria relaxa assistindo TV, curtindo suas novelas, seus jogos de futebol, e os programas de humor. Afinal, rir é preciso.
Na minha modesta opinião, o melhor programa de humor da televisão brasileira é o Casseta & Planeta Urgente, no ar desde 1992. Ao contrário de “Zorra Total” e “A Praça É Nossa”, a turma do Casseta sempre usou o próprio noticiário, a novelas, o dia-a-dia do povo e as mazelas brasileiras para criticar, em forma de piada inteligente e sutil, as injustiças sócio-econômicas e os preconceitos.
Eis que ontem perdemos Cláudio Besserman Vianna, o Bussunda. Alegre e irreverente, usava sua própria obesidade para fazer humor. Sem desmerecer os demais componentes do grupo, Bussunda era o mais engraçado, o mais divertido. Ficou na memória de seus fãs, eu entre os quais, travestido de personagens como Marrentinho Carioca, o presidente Lula, uma das “encalhadas”, e tantas outras figuras da política e do nosso cotidiano.
Fiquei imensamente triste com sua morte. Dói ver pessoas alegres, no auge do sucesso, felizes e jovens, partirem. Bussunda iria completar 43 anos de idade no próximo dia 25 de junho.
Apesar da tristeza, não adianta buscar desculpas esfarrapadas para a sua morte, do tipo: “Se tivesse ido ao hospital, se salvaria”. Nada disso! Acredito que ninguém morre de véspera ou de graça. Todos nós, inevitavelmente, temos um prazo de validade. Chegado o momento, abandonamos o corpo e seguimos rumo ao plano espiritual. A causa mortis é só uma desculpa para satisfazer a lógica e a curiosidade humanas.
Desejo, sinceramente, que esta alma siga em paz o seu caminho; que repare seus erros; que avalie sua vida terrena; e que busque a melhor forma de tornar-se melhor, onde quer que esteja.
Obrigado, Bussunda, pelas boas gargalhadas que você me fez dar nas noites de terça-feira. Osvaldo Guarilha |
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